quinta-feira, 24 de abril de 2014

Não soube

Muita coisa mudou, fluiu, passou, chegou..
Gente saiu, gente chegou, gente ficou. E ainda está!
Se ousasse revelar o que sinto, seria mal interpretada, então escrevo;
canso os dedos, olhos, neurônios.
Mas escrevo.
O papel canaliza o ar de incerteza que me atormenta, não sei pra onde.
Uma coisa eu sei, sinto leveza.
Ou seria uma preocupação dormente no interior?
Não sei.
Escuto o som cantado por alguém, leio os versos escritos por outrem,
que tanto sentir é este que trago no peito, nos abraços, na fala e na escuta?
Não sei.
Sinto a alma, a vontade me direcionando,
mas temo.
Sinto a dúvida me dando as mãos, os fantasmas da incompreensão me cercando,
e a vida correndo por entre palavras mal escritas..
palavras forçadas, decorrentes de um não saber,
de um não entender.
Não soube, não soube.

"La promesse" - René Magritte

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