segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cora

Coraline estava encolhida, debaixo do lençol de dúvidas, e de linho. Elevada a outra dimensão pelo último volume dos fones de ouvido.
- Vem almoçar, Coraline - foi a voz que se ouviu ao fundo.
- Quero não, mãe.
Um pensamento se sobressaltou 'até queria, mas não tenho força pra sair desse casulo.'
Outro pensamento: 'Por que a música não me serve de alimento? Por que as palavras que tanto prezo por colocar no papel não se juntam à canção e me dão a força que preciso? E aqueles tantos livros que terminei ao longo do semestre passado?'
Por que? Por que? Por que?
- Tu vais adoecer Coraline. - A afirmação se misturou com o conselho Let it be, no fone de ouvido.
- Outro pensamento: 'E será se já não estou? Nem isso sei dizer mais.' A voz saiu preguiçosa: - O que é o almoço, mãe?
- Vem aqui que tu sabes..
- Mais um pensamento depois de abrir a panela: 'E desde quando frango com batatas sacia o vazio da alma?' Mas dessa vez
não houve voz, a conclusão ficou enclausurada. Em  pensamentos.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

...e felicidade!

Uma situação..
Diversos ângulos,
Eu concluo que me fez mal,
Pra outra pessoa não passou de brincadeira;

Ao outro sou excêntrica,
Ao meu ver sou sentimental em demasia.
Instantes pensando..
Será que isso merece minha atenção?

Ouvi dizer..
Que todo esforço pra felicidade,
é digno.
Que deixar a dor ir,
é salvação.
Que o que é nosso, 
ninguém tira.

Tantas especulações.
Tantos ângulos.
Uma só situação.
Uma só busca.
Paz..
Felicidade..
Paz e Felicidade.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dias.


Como explicar..tem situações tão delicadas, mais tão delicadas que tenho a impressão de estar pisando em ovos na tentativa de resolvê-las, mas a que conclusão chego? Não resolvi nada, não dei um passo a frente, ainda estou estática na névoa que insiste em permanecer habitando minha mente tão bagunçada. Névoa de dúvida e de fraqueza, e até mesmo névoa de fracasso. Porque nem sempre é possível alcançar o que se quer, no tempo que se deseja.. e a certeza disto, trás peso até a mente se adaptar à esta realidade. O tempo dita suas próprias regras, por vezes tenho essa impressão..e fico aqui, ainda estática, sentada, à espera do veredito final que o tempo tem pra me conceder. [Por falta de força pra insistir, não nego]. Ir ou permanecer, se libertar ou continuar odiando. Tenho a impressão que nem sei mais o que motiva minha existência, porque tenho vivido mais de pensamentos sobre tudo e todos, do que de ações  de fato. E isso, é muito muito intrigante, melhor dizendo, desgastante. Essa busca de viver cada segundo sem desperdiçar, sem pisar errado pra não estragar o futuro, pensando no bem que posso fazer a quem na verdade sequer faria o mesmo por mim, sendo indiferente a quem merece atenção..e os momentos passando, e eu perdendo a cabeça com tão pouco.. Sou juíza e criminosa, julgo agir corretamente, pra depois me convencer que não..não estava certo, e me consumir em auto-julgamento [como se não bastasse a maré deles, vindo de outros]. Os dias parecem ser longos pra quem espera do tempo resposta, veredito. Os dias acabam sendo bálsamo em meio aos fracassos cotidianos, nos mostram que é possível começar novamente. Sair da zona de conforto, dar o primeiro passo, modificar a existência..