sábado, 6 de junho de 2015

Perpétua

As pessoas são memórias, artefatos guardados no museu do pensamento, por vezes dignas de lembranças, por vezes de completo esquecimento. De alguma maneira pessoas nos modificam, nos fazem compreender a amplitude de ser, de sentir e de situar-se no mundo.

Chegam.

E só de chegar, mudam a configuração do que estava estabelecido.

Falam.

E só de falar, provam em sons combinados o que precisava ser dito, mas que ainda não fora dito. CIRCUNSTÂNCIAS.

Você passa anos enxergando pessoas, o externo de ser e precisa entender que cada um guarda um mundo dentro de si. INEXPLORADO. (Essa palavra existe?)

E entre tantas, há 1,2,3 que marcam..seja por uma palavra, um vários beijos, um abraço e por que não uma decepção?

Existem aquelas que sempre estiveram ali, e que um dia você percebe que sobre elas você nada sabia.

Pessoas entram em nossas vidas mais do que por acaso, talvez seja para nos lembrar que nem tudo ainda foi visto, sentido, vivido..

Talvez seja para provar que conceitos mudam, e nós também. (Ainda bem!)

Pessoas entram em nossas vidas, e é quando paramos pra pensar nisso que acabamos por entender a importância de todas elas.

Pois de repente..você não é você sem elas.

Presentes ou não, são histórias que se cruzam, se entrelaçam.

A sua vida muda, os tempos também..

Mas as pessoas da sua vida, elas se eternizam de uma forma misteriosa.

Atracam-se a sua vida,

tornam-se/são memórias.

Memórias perpétuas.


Por Tommy Ingberg

terça-feira, 2 de junho de 2015

Entrementes

Me abrace antes de dizer adeus, assim mesmo ignorando a ênclise.
Entrementes o que tenho a dizer se corrói por percalços de atitudes impróprias,
e vontade de ser.
O devir de existir e a sensação ilusória de compreensão sinalizam o erro.
O erro.
O acerto.
E a tentativa.
Compreender ou sentir?
Ignorar ou retrair-se da vontade que o espírito tem, de impulsionar escolhas bem sucedidas, ou não?
Vejo muitas inconsistências entre o que o espelho mostra, e a face que só eu vejo.
Entre o silêncio da alma e a fala da boca,
Entre o que os olhos mostram e a cegueira em reconhecer-se. Que insiste. Perpetua-se.
Muitas faces de um mesmo rosto.
E sorrisos dos mesmos lábios.
Visões dos mesmos olhos.
Silêncio escuro e esclarecedor.
Sombras lúcidas de sonhos claros.
O certo e o errado equilibrando-se na balança.
E o  amor ali.

Bem ali.
Consegues vê-lo?

Another World - Christian Schloe