Um som incessante, um incômodo aos ouvidos.
Faixa arranhada no disco do pensamento, tamanha é a repetição com que é tocado-sentido-lembrado-revivido.
Eu escolhi tão calmamente o não sofrer, mas termino escutando a trilha que não quero: fui meu próprio algoz.
Decidi mal, optei por não enxergar, por não sentir, optei por esperar, por ver o que ia dar.
Não deu.
Não tá dando.
Tá latejando, tá arranhando, tá cicatrizando - minutos depois não mais -.
Eu decidi por acreditar, mas esqueci de acreditar em mim.
Quem não me incomodava, hoje me incomoda.
É muita gente opinando, recomendando, querendo impor vontades, fingindo ser quem não são.
Fingindo sorriso, fingindo dor.
Fui meu algoz.
A mudança vem tardia e sorrateira.
A mudança é inexorável.
A mudança é.