sábado, 27 de dezembro de 2014

Ilusório

Ilusório como poeira banhada na luz que adentra a sala.
Imóvel e intacto, compassado com o devir e o vir.
Poeira combinada com luz.
Poeira colorida.
Estática em si mesma. Traduzindo sombras e murmúrios dilacerantes,
mascarados no sentir.
No peso para prosseguir.
No ser o mesmo todo dia.

sábado, 27 de setembro de 2014

Estrelas

[John Holmes]
Sou os livros que li,
e os que quero mas ainda não li.
As músicas, sombras finas do sentimento do tudo que em mim habita.
As palavras silenciosas, ditas em pensamentos, em roteiros nunca explícitos.
Sou o mais que quero atingir,
faíscas miúdas de sonhos,
sentinelas abruptos à espreita do que não vem.
Entre a fumaça do cigarro, e do chá mau preparado, existem mil mundos
se-pa-ra-dos.
Unidos por uma galáxia de imensidão.
Sou todos esses mundos,
sou milhares de estrelas faiscantes
fascinantes, fantasiosas.
Sou tudo.
Tenho tudo.
Terá isto um
fim?

sábado, 23 de agosto de 2014

Desencontros

Vai cavando,
cavando,
cavando,
e vai deixando vazio.
Cada gesto
vai adormecendo.
Nem percebeu,
morreu o que havia.
Estabeleceu o fim.

domingo, 6 de julho de 2014

Conclusões Vespertinas

Sentir entranhado nos poros, pele, veias o desejo de viver. O momento em que percebe-se que por compromisso deve-se ter a busca pela felicidade. Estar bem consigo mesmo, apesar das circunstâncias ferrenhas que nos são impostas deve ser considerado objetivo de vida. Meu riso ninguém deve tirar, a quietude que transcende o peito e trás paz, tem que ser perseguida. Não, isso não é uma ditadura, é que o viver é rápido, o tempo consome, e não tenho admitido mais gente roubando riso, roubando sono, roubando ânimo. Tirando de vista o que pretendo de fato. Leveza é coisa séria, paz interna muito mais séria ainda. Não permito, não permito! O que não soma tem que sumir sim, chega de guardar tanta coisa do ano, mês, dia, hora passada. A vida é bem mais, o viver é curto, quando se pensa nas milhares de possibilidades que podem vir com ele. Não é mútuo, então sigamos. O que não vale a pena, a gente deixa de mão pra não perder a felicidade.


"The longing for freedom" by Christian Schloe


domingo, 22 de junho de 2014

Rubra

A face rubra que persuadiu o ímpeto,
fez jorrar o estardalhaço do sentir, o peso do viver, a insistência do continuar.
Guardar no peito o azedume da ação mal realizada, entre meios, entre o porvir e o continuar.
Continuar revivendo, memória escancarada, à disposição da predisposição ao amargo.
O passado é uma sombra, vez ou outra vem sorrateiro, entrelaçado em garras frias,
emudece,
assombra.
Corta,
desfigura o hoje.
Amanhecer radiante, anoitecer e lastimar.
Lástima,
lástima,
lástima.
Minha canção virou lástima,
Minha insinuação se materializou,
A dor ficou,
A felicidade..
E sim, por onde anda ela?

sábado, 14 de junho de 2014

De sábado.

O amor é lindo nos laços e abraços,
na dedicação sem precedentes,
e no respeito incessante.
É lindo quando não resvala diante do peso do tempo,
e quando não cansa de ser, de entregar e mostrar-se intenso.
É lindo na permanência do querer,
no vislumbre cotidiano de cuidar,
de desejar ter por perto o ser amado.
É lindo ao não dissolver-se,
ainda que por vezes,
isso aconteça.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dos sonhos e tentativas

Há boatos de que sonhar e tentar não custa nada..
E é verdade..NÃO CUSTA!
Por que o medo?
Por que a apreensão do primeiro passo, da primeira decisão, da primeira cartada?
Por que, por que, por que?
Se o máximo que pode-se alcançar é um não, e a vida é isso..
Alternância de sim, e não.
De ser e não ser..
De estar aqui e cinco minutos depois não estar mais.
Um dia de cada vez,
sonhar não é proibido.
Sonhar dá fôlego, faz experimentar o que não se tem.
Tentar trás vida, trás certeza de tarefa cumprida.
Sonhar e tentar..
A vida se percorre porque sonha-se,
sonhos realizam-se porque uma hora ou outra, houve a tentativa..
Sonhar e tentar..
Uma hora a vida recompensa.

Sob o som de Sia - Chandelier

sábado, 10 de maio de 2014

Transfigurar-se

Ouvi dizer que você mudou,
transfigurou-se no que eu sonhava.
Moldou-se nos aspectos previamente definidos.
Pela minha insensatez.
Meu engano.. não existem transfigurações, existem aceitações.
Você não mudou, você se extinguiu de si.
Foi?
Foi.
As pessoas não mudam,
o que muda é a minha percepção sobre elas.
E o que sinto,
e o que espero,
e o que deixo de esperar.
Te aceito,
Não exijo mudança.
Quero a transparência,
pode ser?

"Aproximar da própria natureza, talvez seja nossa solução."

Sob o som de O Teatro Mágico - Grão do Corpo
P.S.: Não sei o que digo é absoluto, mas neste momento é.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Nós

Tem gente que nos dá sede do amanhã, nos dá pressa pelo futuro.
Vive ao nosso lado todos os dias, e o viver é tão intenso que nos faz vislumbrar o porvir, e as coisas que este porvir trás consigo.
Faz-nos sonhar dormindo e acordado.
Capa do álbum Sou - Marcelo Camelo
Tem gente que nos faz esquecer do EU, que acaba tornando franco o uso do NÓS.
Eu e a pessoa vamos, planejamos, encontramos, começamos, fomos, vivemos, fizemos, conhecemos.
N Ó S,  N Ó S,  N Ó S
Entrelaçado de indivíduos, que entraram em acordo em alguma parte da vida.
Ou sentimentos da vida.
Almas que unem-se por não sabe-se bem o porquê.
NÓS que não desatam.
EU que não vive mais só.
NÓS que permanecem.
Sou Nós, o Eu deixou de existir.
Tornou-se um nó,
Tornou-se Nós.



[Ao som de Ben Howard]

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Do vazio

Vazio.
Distância.
Solidão,
de mim mesma.
Chuva que cai.
Abismo interior.
Papel não absorve a tinta da caneta.
Coração não absorve a ideia de fim.
Despreparo que vem de muito entregar-se,
de amar e acreditar.
Chuva que cai.
Gota a gota levando lágrimas.
Um fim já foi o suficiente,
que a chuva leve a ideia de um outro; 

tommy ingberg foto manipulação photoshop surreal terno chapéu fotografia preto branco
"Pensando em balões" - Tommy Ingberg
[sob os acordes de London Grammar] 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Não soube

Muita coisa mudou, fluiu, passou, chegou..
Gente saiu, gente chegou, gente ficou. E ainda está!
Se ousasse revelar o que sinto, seria mal interpretada, então escrevo;
canso os dedos, olhos, neurônios.
Mas escrevo.
O papel canaliza o ar de incerteza que me atormenta, não sei pra onde.
Uma coisa eu sei, sinto leveza.
Ou seria uma preocupação dormente no interior?
Não sei.
Escuto o som cantado por alguém, leio os versos escritos por outrem,
que tanto sentir é este que trago no peito, nos abraços, na fala e na escuta?
Não sei.
Sinto a alma, a vontade me direcionando,
mas temo.
Sinto a dúvida me dando as mãos, os fantasmas da incompreensão me cercando,
e a vida correndo por entre palavras mal escritas..
palavras forçadas, decorrentes de um não saber,
de um não entender.
Não soube, não soube.

"La promesse" - René Magritte