quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ouvido

Renè Magritte -  Love from a Distance
Esse texto nasceu de uma conversa de bar.

Talvez a mais profunda que já tive.

O Amor sempre em pauta.

Escutei a história de uma mulher, mãe, 'vivida' como se diz.

Ela anos mais velha, profissão: psicóloga e acreditando no oposto de tudo que acredito.

Mas naquela sexta, foi ela quem esteve no divã.

"Não acredito no amor". - Choque de palavras - Silêncio.

"Nunca pensei passar o que passei"

"Queria a companhia de alguém, mas não me permito isto pois já passei por muita coisa."

A experiência de Ouvir se fez única neste dia.

Ela admitia como verdadeiro tudo que eu admito como falso.

Mas em nenhum momento ousei impor meu ponto de vista, naquele momento percebi que minha imposição seria absolutamente insignificante, irrelevante, desnecessária.

O ouvir foi mais precioso. Independente de.

Parei pra pensar, hoje se vive em guerra de pontos de vista, só o EU está certo, só o EU tem a razão absoluta.

O ouvir se perdeu na imensidão do EU coberto de razão, do EU certo.

E ao ouvir aquela história, ouvir de verdade, percebi que não é questão de impor ponto de vista, é questão de compreender, de entender que a história do outro é diferente da minha, que boa parte dos pontos de vista, se constroem de situações ímpares, pessoais e intransferíveis e que ouso acreditar, não será ninguém que irá desconstruir, não será ponto de vista diferente que dissolverá o cimento das situações.

Ela finalizou assumindo felicidade..

E eu em silêncio pensei, não tenho o direito de contestá-la, de  impor.

Meu direito é ficar em silêncio, pois histórias se constroem e não se dissolvem rapidamente.

E porque o ouvir, por vezes, denota mais compreensão do que mil palavras proferidas a partir de pontos de vista enquadrados em um EU, que não contempla o outro, justamente por ser único.


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

É

Lábios Secos,
Menta e Fumaça,
Batom e Cerveja.
Lábios que desencontraram-se.
Imediatismo barato na tentativa de escapar do óbvio.
Precisa-se de tanto, mas o que se tem é tão pouco.
Vielas escuras, vizinhas do desalento.
Não foi, não sou eu,
Não sou , não foi você
Fomos nós
Somos nós
Foi assim, é assim. 

sábado, 6 de junho de 2015

Perpétua

As pessoas são memórias, artefatos guardados no museu do pensamento, por vezes dignas de lembranças, por vezes de completo esquecimento. De alguma maneira pessoas nos modificam, nos fazem compreender a amplitude de ser, de sentir e de situar-se no mundo.

Chegam.

E só de chegar, mudam a configuração do que estava estabelecido.

Falam.

E só de falar, provam em sons combinados o que precisava ser dito, mas que ainda não fora dito. CIRCUNSTÂNCIAS.

Você passa anos enxergando pessoas, o externo de ser e precisa entender que cada um guarda um mundo dentro de si. INEXPLORADO. (Essa palavra existe?)

E entre tantas, há 1,2,3 que marcam..seja por uma palavra, um vários beijos, um abraço e por que não uma decepção?

Existem aquelas que sempre estiveram ali, e que um dia você percebe que sobre elas você nada sabia.

Pessoas entram em nossas vidas mais do que por acaso, talvez seja para nos lembrar que nem tudo ainda foi visto, sentido, vivido..

Talvez seja para provar que conceitos mudam, e nós também. (Ainda bem!)

Pessoas entram em nossas vidas, e é quando paramos pra pensar nisso que acabamos por entender a importância de todas elas.

Pois de repente..você não é você sem elas.

Presentes ou não, são histórias que se cruzam, se entrelaçam.

A sua vida muda, os tempos também..

Mas as pessoas da sua vida, elas se eternizam de uma forma misteriosa.

Atracam-se a sua vida,

tornam-se/são memórias.

Memórias perpétuas.


Por Tommy Ingberg

terça-feira, 2 de junho de 2015

Entrementes

Me abrace antes de dizer adeus, assim mesmo ignorando a ênclise.
Entrementes o que tenho a dizer se corrói por percalços de atitudes impróprias,
e vontade de ser.
O devir de existir e a sensação ilusória de compreensão sinalizam o erro.
O erro.
O acerto.
E a tentativa.
Compreender ou sentir?
Ignorar ou retrair-se da vontade que o espírito tem, de impulsionar escolhas bem sucedidas, ou não?
Vejo muitas inconsistências entre o que o espelho mostra, e a face que só eu vejo.
Entre o silêncio da alma e a fala da boca,
Entre o que os olhos mostram e a cegueira em reconhecer-se. Que insiste. Perpetua-se.
Muitas faces de um mesmo rosto.
E sorrisos dos mesmos lábios.
Visões dos mesmos olhos.
Silêncio escuro e esclarecedor.
Sombras lúcidas de sonhos claros.
O certo e o errado equilibrando-se na balança.
E o  amor ali.

Bem ali.
Consegues vê-lo?

Another World - Christian Schloe

domingo, 11 de janeiro de 2015

Um dia

Basta um dia, um só dia.

Paras as cores perderem-se
para tudo modificar-se.

De tristeza a gente não mata,
mas morre devagarzinho.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sobre o Ano Novo

É um texto diferente dos outros..
Se não gosta de confissões, evite.

Peguei a agenda para planejar o ano e percebi que 2015 me trás mais ideias a serem dissolvidas do que resolvidas. Tenho poucas resoluções para o ano novo, mas uma chuva de coisas que precisam serem dissolvidas, para o novo tomar lugar. 
Tomei sérias decisões para a infelicidade de muitos e para a minha felicidade, e fico me perguntando o porque que até pra ir atrás de algo novo e que te faz bem, há uma resistência, há um sério 'não admitir' por parte de muitos.
A vida fica extremamente complicada quando você percebe que está trilhando um caminho mas voltado para a impressão dos outros do que para o seu bem estar, e que você consegue ser tão cruel consigo mesmo que deixa suas verdadeiras vontades e planos sufocarem-se no status quo que planejam pra você, para sua vida e até para sua conta bancária. [Que situação hein?
Mas tomei uma decisão nesse ano de finalizações, e sinceramente não foi pra agradar ninguém a não ser eu.
Falo isso, pois tenho um vago sentimento que durante toda a vida isso não aconteceu, é chegado o momento portanto.
Fui taxada por quem não esperava de 'mal resolvida', de 'alguém que não sabe o que quer da própria vida', mas persisto na ideia, e insisto também. [Por que sonhar é tão doloroso às vezes?]
A questão não está em basear-se em ninguém, mas em escolher o que me faz bem e fazer disso uma luta diária até os objetivos serem alcançados.
Ao final, ninguém mais do que nós mesmos sabe o que nossa vida precisa para ter mais sentido, ainda que isso não esteja diretamente relacionado a uma gorda conta bancária ou a um status profissional.
Pra finalizar, só queria dizer que concordo com Camões em seu Soneto.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Porém concordo mais ainda com Mark Twain:

"Daqui a 20 anos você estará mais desapontado pelas coisas que você não fez do que pelas coisas que você fez. Então ignore os limites. Navegue pra longe do porto seguro. Explore. Sonhe. Descubra.”

Então, que venha 2015.
Feliz Ano Novo.
Pra mim,
Pra nós.
<3