domingo, 28 de outubro de 2012

Lilás








Gelo e frio. Acordada pelo vento que transpassava as cortinas lilás e veio com suas garras frias, tocar-lhe os pés que o edredom insistia em não querer proteger..depois de uma madrugada perdida em pensamentos e dúvidas, parte da tarde perdeu-se em livros e chocolate quente e por fim em sono e cansaço..até ele chegar, o vento e suas garras frias. Perdida pelo pensamento desconcertante de não saber que passo dar, 'até que ponto a distância nos impede de realizar o que o coração deseja?' por vezes estar perto, não significa nada  quando comparado ao estar estradas, rios e pontes de distância...paradoxos que não revelam-se fáceis de  se desvendar ou muito menos fazer sentido..além disso, outro pensamento lhe ocorreu e acabou por deixa-la transtornada: o orgulho e sua caricatura mesquinha de aparentemente possuir em mãos, o tão sonhado poder de decisão..logo ela, que há uma vida inteira  fazia deste, seu escudo e defesa. Orgulho e desejo de vingança. Frieza e impiedade. Lágrimas motivadas pelo sentimento entregue em mãos tão confiantes e que não revelaram-se assim por muito tempo, pelas lágrimas que desatou a derramar pelas escolhas precipitadas, motivadas pelo escudo [que a bem da verdade, nada protegia]. Orgulho. Pelo amor perdido que a desculpa aparentemente solicitada de maneira tão sincera, não teve força pra reconduzir, pra reconstruir. Pensamentos sobre a mão que ela sonhava em segurar, mas que pouco importava-se com ela, com as mensagens tão bem escolhidas e enviadas, mas sem respostas, sem retorno. Tanto arrependimento acumulado pra uma simples tarde? Quem sabe..Quando se deu conta o cabo do fone de ouvido estava entrelaçado em seus cabelos, e a música que vinha deles entrelaçada a cada pensamento que lhe ocorria, apontando a solução que seu arrependimento tentava ocultar, lhe dando um motivo pra sorrir em meio a tanto cinza...Cinza da chuva lá fora, cinza do edredom, frio que vinha com o vento, lilás na cortina, lilás nela.

sábado, 6 de outubro de 2012

Outubro, ou nada...

Trapaceei no jogo das aflições, no tudo ou nada, preferi o tudo que me era oferecido..coisa alguma me faltou..perplexa pelo passar das horas que não somam, só dividem; e que me intrigam por subjugarem os sentimentos que tinha e tão convictos eram...acalentavam até os fragmentos de razão que insistem em correr neurônio a neurônio de minha tão habitada mente. Sou toda dúvida, luz e trevas..candura e desprezo, quase 20 anos, alguns sonhos na mochila...dívidas no cartão e palavras, muitas palavras..Outubro, ou nada...sim imposição ao calendário da minha vida pra que as coisas andem e eu possa acompanhá-las com meus passos desajeitados, superficiais..outubro pra eu arrumar minha existência, saldar as dívidas que criei com meus próprios instintos levados pela cordialidade dos atos...me coloquei limites, vai que assim a vida passa a ter o ar de organização e de tarefa realizada que mês após mês desse 2012, a contar de janeiro, não consegui presenciar..vai que funciona, e meu 2012 ou melhor, os dias que faltam para que esse 2012 se conclua sejam vividos, melhor dizendo, apreciados. Viver, a gente vive sempre..apreciar, só quando temos razões pra isso..É isso que quero, ter razões para que as horas não me sejam pesarosas , e que os dias sejam intensificados pela calidez e me preencham com a fortaleza dos dias de Sol, com o aconchego que o frio e os dias de chuva nos permitem ter. Uma constante mudança, uma insana escolha. Vontade lívida, insistente esperança: 'vai passar', 'o tempo vai passar e curar', 'vai ficar tudo bem'.. Afinal, quantos dias tenho até o último segundo desse tal 2012? Outubro, ou nada..