Coraline estava encolhida, debaixo do lençol de dúvidas, e de linho. Elevada a outra dimensão pelo último volume dos fones de ouvido.- Vem almoçar, Coraline - foi a voz que se ouviu ao fundo.
- Quero não, mãe.
Um pensamento se sobressaltou 'até queria, mas não tenho força pra sair desse casulo.'
Outro pensamento: 'Por que a música não me serve de alimento? Por que as palavras que tanto prezo por colocar no papel não se juntam à canção e me dão a força que preciso? E aqueles tantos livros que terminei ao longo do semestre passado?'
Por que? Por que? Por que?
- Tu vais adoecer Coraline. - A afirmação se misturou com o conselho Let it be, no fone de ouvido.
- Outro pensamento: 'E será se já não estou? Nem isso sei dizer mais.' A voz saiu preguiçosa: - O que é o almoço, mãe?
- Vem aqui que tu sabes..
- Mais um pensamento depois de abrir a panela: 'E desde quando frango com batatas sacia o vazio da alma?' Mas dessa vez
não houve voz, a conclusão ficou enclausurada. Em pensamentos.
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