sexta-feira, 8 de julho de 2011

' paraíso ilusório

Ela sentiu os raios pioneiros da manhã tocando seus pés, acompanhados pelas ondas que insistiam em chegar à margem da praia, praia de poucos, praia pra poucos. A noite havia sido tumultuada enquanto tudo que ela havia passado em pouco mais de dois anos, voltava com ímpeto a povoar a cidade que suas lembranças se tornaram. E após sonhos nostálgicos, em sua maioria indesejados, capazes de fazê-la acreditar que tornariam-se reais, as ondas insistentes inverteram a situação e mostraram que sim, tudo não passava de sonhos, mais que isso, lembranças. Ao levantar, viu a solidão do seu íntimo refletida no lugar que estava, ninguém além da própria criatura estava ali, o que a fez chegar a conclusão que estava no paraíso, paraíso antigamente habitado nos seus desejos insanos de liberdade. O lugar onde sem mascáras, ela trilharia seu caminho na descoberta de si mesma, onde com a esperança fugidia passaria a esperar por aquele ser, sim, aquele corajoso o suficiente pra ir encontrá-la, estando isenta portanto das feridas que o coração mascarado de amor insiste em causar. Tendo a convicção da felicidade. O lugar que proporcionaria a ela a perca da sua mesquinhez e a faria alcançar as virtudes que lá no fundo ela desejava mas não alcançava. Seu ego não permitia, o meio em que vivia não permitia, as pessoas não a convenceriam de tal coisa. Sim, ela dormiu nesse mundo, mas acordou no paraíso, acordou no lugar onde a liberdade deu as mãos a ela, livre de tudo, livre de todos, a procura de si mesma. Sim, o paraíso, o paraíso ilusório, que o som do despertador e a voz da sua irmã mais velha fizeram questão de por fim, naquela manhã de segunda-feira, 14 de outubro.

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